Festival do Japão de 2018 em Minas Gerais, província irmã de Yamanashi

por André Amorim



O Brasil é o país onde vivem mais descendentes de japoneses (nikkeis) fora do Japão. De todos os povos que migraram para o Brasil, os japoneses foram os que mais contribuiram em setores como agricultura, siderurgia, celulose e tecnologia.



Na agricultura, os japoneses auxiliaram o Brasil a ser um dos líderes mundiais na produção de grãos, especialmente no cerrado, que era considerada uma região inóspita. A culinária japonesa também se mostra bastante presente nos restaurantes de todo o Brasil, em pratos típicos como sushi, sashimi, temaki, yakisoba, dentre outros. 

Além disso, as artes marciais oriundas do oriente – aikido, judo, karate – já estão tão arraigadas no país verde-amarelo, que algumas das academias brasileiras são referências internacionais. 
Seja nos esportes ou no mundo das artes, quem não conhece um nikkei famoso como Hugo Hoyama, Daniele Suzuki, Fernanda Takai, Sabrina Sato ou Tomie Ohtake?
Tomie Ohtake, artista plástica japonesa naturalizada brasileira, autora do monumento aos 100 anos de imigração japonesa no Brasil, em Santos, litoral do estado de São Paulo




Os primeiros japoneses a desembarcarem na terra tupiniquim vieram a bordo do navio Kasato Maru, em 1908, em busca de oportunidades de trabalho nas fazendas de café do interior paulista. Desde então, passaram-se quase 110 anos dessa longeva parceria. Para celebrar a contribuição japonesa para a vida, cultura e economia do Brasil, e também propagar os valores caros aos orientais, o Festival do Japão é realizado, anualmente, em diversas cidades brasileiras, com destaque para as edições de São Paulo e Belo Horizonte. Em São Paulo, capital do estado no qual vivem mais de 1,5 milhões de nikkeis, o festival acontece desde 1998.


Em Belo Horizonte, ocorre anualmente desde 2012. Algumas das exposições são de artes marciais, dança e ginástica. Há oficinas de mangá, origami e oshiê. Também há venda de produtos típicos e até concursos de Miss Nikkei e Cosplay. Veja mais detalhes do último festival aqui.


No próximo 2018, quando se celebrarão 110 anos de imigração japonesa no Brasil, o festival será especial. Minas Gerais é província-irmã de Yamanashi, a terra do Monte Fuji, símbolo do Japão. A partir dessa relação de irmanamento, há um tratado pelo qual dois mineiros, um dos quais servidor público do governo de Minas, veem, anualmente, para a província de Yamanashi, realizar um programa de trainee.


Então os ex-bolsistas se organizaram para realizar um estande de Yamanashi, que terá apresentações e produtos típicos dessa província. Haverá mostras e palestras sobre o Monte Fuji; os templos de Zenkoji, Takeda e outros; o Festival do Fogo de Fujiyoshida; as sakerias e docerias; os festivais de uvas e vinhos (Katsunuma, Isawa Onsen e outros); vale do Shosenkyo, região de Yatsugatake, Minami Alps, dentre outras maravillhas naturais e atrativos culturais que a província oferece. Os bolsistas de Minas recebem um treinamento sobre algum tema político-econômico de interesse mútuo das províncias irmãs, mas o período vivendo em Yamanashi vai muito além do aspecto profissional. A cultura e o modo de vida orientais, os valores mais caros aos japoneses, podem ser vividos e sentidos à vera durante o tempo do treinamento.


 

Para fevereiro de 2018, a organização do Festival espera sucesso de público semelhante ao desse ano, quando mais de 24 mil pessoas passaram pelo Expominas para visitar o Festival e ficar mais próximos da Terra do Sol Nascente. A distância, de fato, dificulta um pouco o traslado entre as províncias-irmãs, mas nunca foi impeditivo para a relação de sucesso que perdura desde 1973. É nesse clima de confraternização, de celebração de 45 anos de irmanamento com Yamanashi, e de 110 anos de imigração japonesa no Brasil, que a equipe mineira prepara, com muito carinho, o estande de Yamanashi e o Festival do Japão em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais. Falando de Minas Gerais, quanto você conhece sobre esse estado?

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